Começa mais um dia de trabalho nove horas em ponto e muita alma com agasalho pois o tempo não dá desconto a quem ali chegou, por atalho ou noutra via paralela. Mas uma vez, em cima do soalho toda a alma, ali em vela já se sente mais quente dispensando aquela flanela que, em cada mente pensou ser tão necessária. Agora, há que ser paciente enquanto se escuta uma ária atrás de outra parecida talvez com escuta diária pois cada alma só é atendida num único dia durante toda a sua vida. Portanto, mesmo que haja azia em qualquer delas, ali presente não dá para adiar, nem por magia para outra oportunidade mais condizente. Cada alma vai à procura do corpo que lhe será correspondente para se unir na exacta altura em que houver o nascimento. O dia seguinte será de ternura pois verá o belo momento em que os pais receberão tão desejado rebento pelo que, a alma terá de usar de balão ou outro qualquer transporte nem que seja um foguetão para que não falhe sua sorte em missão tão importante que, se espera, não aborte e a união se dê no exacto instante de modo a que o corpo saia já com seu semelhante a alma, que se pretende, nunca descaia e que, em qualquer minuto às demais, sempre sobressaia.
(de "O carimbo")
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